ERIC HOBSBAWM , 92 anos , residente em Londres ( Hampstead ) - historiador, marxista
O historiador britânico , Tony Judt escreveu um ensaio sobre Hobsbawm, mostrando admiração por seu conhecimento, mas tecendo a seguinte crítica : " para fazer o bem no novo século, nós devemos começar dizendo a verdade sobre o antigo. Hobsbawm se recusa a mirar o demônio na cara e chamá-lo pelo nome" .
Hobsbawm responde : " A crítica de Judt não se justifica. O que ele quer é que eu diga que estava errado.Em " A Era dos Extremos" , eu encaro o problema, o critico e condeno. Não tenho problemas em dizer que a Revolução Russa causou dor e sofrimento à população russa. Porém, o esforço revolucionário foi algo heróico. Uma tentativa de melhorar a sociedade como não se viu mais nahistória. Me recuso a dizer que perdi a esperança " .
" ... não vejo problema quando um intelectual , especialmente de países do Leste Europeu, percebe que a democracia é melhor do que o sistema autoritário em que vivia. É normal a mudança de posição quando surgem fatos novos ... o ex-comunista que condeno, é aquele, que antes militava em grupos de esquerda e que hoje tem uma bandeira única, adeser anti-comunista apenas, esquecendo-se do resto das idéias pelas quais lutava. Também me entristece ver intelectuais jovens, que não passaram pela história dessas lutas, repetindo e tentando tirar benefício desse mesmo tipo de propaganda" .
" Eu não gostava da burguesia vitoriana e ainda não gosto, embora apreciasse o dinamismo daquele tempo " .
" Agora, quando comparo o século XIX com o XX, sinto simpatia pelo modo como aqueeles homens acreditavam no progresso. Foi um século de esperança. E ssa minha nostalgia cresce à medida que o tempo passa evejo, com pessimismo, o que vem acontecendo" .
" A dependência econômica ainda é um fato, mas, politicamente, a América latina é cada vez mais livre. Washington jamais voltará a exercer a influência de antes, tampouco a apoiar golpes ou ditaduras como fez no passado. O que está acontecendo em Honduras, é um sinal disso. O Brasil tem papel central nesse processo, uma vez que o México se transforma cada vez mais em apêndice dos EUA " .
Dia 20 de novembro de 1979 é a data da queda do Muro de Berlim.
" A queda do muro foi o fim de uma era, não só para a Europa do Leste,mas para o mundo inteiro. O capitalismo chegou a seu limite e a crise econômica mundial indica claramente o fim de um ciclo " .
Para Hobsbawm, o mundo pós- Guerra Fria deve fazer uma autocrítica para entender o futuro do Ocidente após o fracasso da experiência comunista .
Bibliografia :
" A Era do Capital " - 1975 ;
" A Era das Revoluções " ;
" A Era dos Impérios "
" A Era dos Extremos" - O breve século XX ( 1914-1991 )
" Bandidos " ( lançamento previsto para 2010 )
( Trilogia sobre o século XIX, chamada por Hobsbawm , de ¨longo século 19 ¨, período que vai de 1789 a 1914, começando com as revoluções européias que definiram a expansão do capitalismo e do liberalismo no mundo - a Revolução Francesa e a Revolução Industrial Inglesa, indo até a eclosão da 1ª Guerra Pluri-Nacional )
Folha de São Paulo, 15 de setembro de 2009 - Ilustrada E 1 e 3
Sylvia Colombo - Editora da Ilustrada
( E então, vamos debater sobre essas coisas ? )
terça-feira, 15 de setembro de 2009
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